Category: O óbvio que ignoramos

Os anos de silêncio: a linha tênue que separa destinos

Autor de O óbvio que ignoramos explica como podemos romper a zona de conforto e extrair o máximo do nosso potencial.

Traçar as diferenças entre as pessoas de sucesso e aqueles que atingiram apenas a média ou desistiram antes de alcançar seus objetivos não é um tarefa fácil. Além de desmistificar conceitos como talento, paixão e renda, o pesquisador e filósofo Jacob Pétry observou outro fator que distingue os dois grupos: o desgastante período dos anos de silêncio. Trata-se do momento nas nossas vidas profissionais onde empregamos todas as nossas energias para a lapidação do nosso talento natural. Segundo Jacob, é a parte mais desgastante do percurso das nossas carreiras. “Geralmente, é onde as pessoas desistem dos seus objetivos. Por mais que você tenha clareza daquilo que quer, o período de aperfeiçoamento é onde você deve se dedicar integralmente a lapidação do seu talento. Não é fácil”, destaca Pétry.

Autor do mais recente sucesso da literatura dedicada ao gerenciamento de carreiras dos últimos anos, O Óbvio que Ignoramos, Pétry debruçou-se a estudar personalidades de reconhecido sucesso pessoal e profissional. Dentre os inúmeros fatores que separa as pessoas bem sucedidas daquelas que apenas “atingiram a média”, o comportamento diante do estresse de uma das partes mais duras do trabalho, o insistente aperfeiçoamento, é apontado como fundamental. “As pessoas desistem, porque a zona de conforto, apesar das limitações, é muito mais segura. Por outro lado, a zona do medo exige uma carga emocional muito forte para ser enfrentada e ocupa um espaço psicológico relevante. Entre esses dois pontos, está a zona de aprendizagem. O importante é se manter focado. Aos poucos, a zona do medo vai decrescendo e a zona de conforto aumentando”, explica Jacob.

O maior sucesso musical da história, a banda inglesa The Beatles é usada pelo pesquisador pra ilustrar esse problema. Diante do incessante período que os Beatles permaneceram na cidade alemã de Hamburgo, fazendo mais de 400 shows por ano para uma única casa de espetáculos, o primeiro contrabaixista da banda desistiu da carreira musical. Stuart Sutcliff, desmotivado com o incessante período na Alemanha, decidiu abandonar a banda e retomar sua interrompida carreira de pintor. “O problema não é apenas as dificuldades. Trata-se de um período sabático. Dificilmente, você encontrará motivação fora de si mesmo. A zona de conforto é muito tênue. Resume-se a família e poucos amigos”, completa Jacob. A disposição natural que temos para uma determinada área é fundamental dentro desse processo. “Se você não se sente motivado por conta próprio dificilmente conseguirá completar o processo”, observa Jacob.

Na mídia – O Óbvio que Ignoramos: Livro busca despertar potencial de quem se sente fracassado

"O Óbvio que Ignoramos" desvenda os caminhos que levam ao sucesso

Qual é a fonte do sucesso? O jornalista e filósofo Jacob Pétry promete desvendar esse mistério em “O Óbvio que Ignoramos” (Lua de Papel, 2010). Para o autor destino, oportunidade ou educação não são tão determinantes.

Com exemplos baseados nas histórias de personalidades como a top model brasileira Gisele Bündchen, a romancista americana Elizabeth Gilbert, o ex-presidente John Kennedy, e o físico Albert Einstein, ele demonstra –com princípios simples, mas que geralmente ignoramos– o que diferencia estas pessoas.

Entre as reflexões de “O Óbvio que Ignoramos” está a de que devemos nos envolver nas áreas em que temos talento. A afirmação parece óbvia, mas segundo Pétry, a prática educacional falha ao deixar de enfatizar qualidades e desenvolver os aspectos onde apresentamos dificuldades e cria pessoas medianas. “Desde muito cedo, na escola, você é forçado a se concentrar em seus pontos fracos, onde não ia bem, e não em suas habilidades”, afirma o autor.

Com uma linguagem acessível e o objetivo de superar essa e outras deficiências, o escritor aponta os equívocos que envolvem os mitos do fracassado e do bem-sucedido e ensina a superar os problemas que interferem na realização do próprio potencial.

O autor também desenvolve as dez chaves para uma atitude de sucesso e outras lições para que o leitor coloque seu método em prática.

Entrevista com Jacob Petry

Pesquisador brasileiro, radicado nos EUA, aponta erros cruciais responsáveis pela frustração pessoal e profissional da maioria das pessoas. Jacob Pétry organizou quatro anos de pesquisas em “O Óbvio que Ignoramos”, obra que trata resgata o comportamento humano e auxilia as pessoas a organizar suas vidas.

Qual é o fator óbvio mais problemático que a maioria das pessoas ignora?
Apontaria três coisas. Primeiramente, a maioria de nós não tem a mínima ideia sobre quem realmente é; depois, nós não somos quem pensamos ser; e, ainda, nossa liberdade, por não sabermos quem somos, é muito mais limitada do que acreditamos.

Explique.
Se eu te perguntar quanto é dois mais dois, você dirá, sem hesitar, que é quatro. Você sabe isso de forma clara. Porém, se te perguntar: quem é você? O que acontecerá? Você falará qualquer coisa como seu nome, sua profissão etc. Nós, pelo menos a grande maioria de nós, não temos ideia sobre quem, realmente, somos. Lidamos, no dia a dia, com um desconhecido, um estranho. Isso afeta tudo que fizemos. Cria insegurança, medo, desânimo e imprevisibilidade. Emoções que nos impedem de expressar nossa liberdade.

Qual é o primeiro passo para obter sucesso?
Descobrir onde estão seus pontos fortes e investir neles, aprimorá-los com técnica, conhecimento e prática. E isso serve tanto para empresas como para pessoas.

O que é um ponto forte?
Ponto forte é a área onde está nosso talento, nosso interesse espontâneo, nossa curiosidade natural, ou seja: nossa paixão. É a área onde temos a capacidade de desenvolver certa atividade com uma facilidade maior do que a de nossos pares. Todos têm essa capacidade em certa área, mas poucos a exploram.

Você diz que ignoramos nosso talento. Por quê?
Basicamente, por dois motivos específicos: Primeiro, por atuarmos com incrível facilidade na área em que está nosso talento, pensamos que todo mundo é capaz de fazer a mesma coisa, como a mesma facilidade com que nós fazemos, e assim, ignoramos nossa excepcionalidade. Nos enganamos. Não é assim que funciona. O que é fácil para você pode ser extremamente complicado para mim.  Além disso, o ambiente no qual crescemos, como a escola, por exemplo, raramente estimulam o desenvolvimento do nosso potencial.

Qual o problema com a escola? Por que ela não estimula o potencial dos alunos?
Há uma inversão de valores. Suponha que você é muito bom em matemática, mas tem dificuldade em gramática, onde você será orientado a manter o foco? Tanto pais como professores lhe forçarão a se focar na gramática, seu ponto fraco. Você até terá aulas de reforço em gramática. O que acontece? Você melhora em seu ponto fraco e atrofia seu ponto forte. No final, tudo que você atinge é um nível médio em tudo. O sistema de ensino, do jeito como está operando, é uma grande fábrica de mediocridade.

Qual seria, em sua opinião, o verdadeiro papel do sistema de ensino?
Além da função normal, que em grande parte é cumprida, é fundamental que a escola ajude o aluno a encontrar seu potencial e encaminhá-lo para uma área em que esse potencial possa ser desenvolvido. É nisso que estamos falhando.

Outro conceito abordado no seu livro é o que você chama de “Síndrome do Excesso de Oportunidades”. O que é isso?
É a teoria de que, ao contrário do que pensamos, o maior responsável pela mediocridade na vida das pessoas e empresas não é a falta de oportunidades, mas seu excesso. O mundo oferece tantas possibilidades e opções que é muito simples passar a vida inteira saltando de uma opção para outra, sem atingir nada; ou mesmo, ficar paralisado e não optar por nenhuma em específico.

Como saída, você propõe o Conceito Kelleher. O que é isso?
O Conceito Kelleher surgiu de uma citação de Herbert Kelleher, sócio-fundador da Southwest Airlines. Perguntado certa vez sobre o segredo do sucesso da Southwest, Kelleher disse que era capaz de ensinar qualquer pessoa a administrar a sua empresa em 30 segundos. “Tudo que é preciso saber é que somos a companhia aérea que oferece as tarifas mais baixas do mercado”, ele disse. “Uma vez que a pessoa sabe isso, ela está pronta para tomar qualquer decisão pela empresa”, concluiu. Ou seja: se uma decisão vai de encontro à missão da empresa, ela será levada em consideração, ao contrário, não. O Conceito Kelleher, entretanto, é a definição de um propósito específico necessário para qualquer empreendimento pessoal e profissional que servirá de guia, de base, para nossas decisões e escolhas.

Segundo o livro, esse propósito deve ser estabelecido sobre a Lei da Tripla Convergência. O que é essa lei?
Para construir um propósito que reflita o núcleo de nossas habilidades, precisamos encontrar o ponto de convergência da resposta de três questões: onde está nosso talento? Dentro desse talento, onde está nossa paixão? E como podemos transformar essa paixão em renda? Seguir a Lei da Tripla Convergência é encontrar o ponto exato onde talento, paixão e renda convergem. Se o Conceito Kelleher é o propósito que servirá de guia para nossas decisões, precisamos ter certeza de que esse propósito está estabelecido sobre o que possuímos de melhor: nossos pontos fortes.  A Lei da Tripla Convergência nos dará essa certeza.

A Lei da Tripla Convergência também se aplica as empresas? Como?
No livro exemplifico essa questão analisando o histórico de três grandes empresas concorrentes americanas: Walmart, Target e Sears. Analiso, com detalhes, os critérios que cada uma usa para disputar um nicho de mercado específico dentro do mesmo setor. A resposta está numa questão chave: ter muito claro porque um cliente deva procurar a minha empresa e não a concorrente. Ou seja: qual é a singularidade da minha empresa? Onde está minha especialidade? Se eu tenho um escritório de advocacia, um salão de beleza, ou uma loja de móveis, a pergunta permanece a mesma, e a resposta inevitavelmente nos levará a Lei da Tripla Convergência. Vai se sair melhor quem possui a estrutura da sua especialidade sobre seu talento e sua paixão e consegue transformá-la em renda.

O que são as três regras da primeira milha?
Mesmo as pessoas que estabelecem seu propósito sobre a Lei da Tripla Convergência têm uma grande tendência de desistir antes de obter os primeiros resultados. O talento, ainda em estado bruto, muitas vezes não está tão evidente, e acabamos abrindo mão dos nossos sonhos. As três regras da primeira milha – crie imunidade à rejeição, entenda o paradoxo da apatia e evite o erro da racionalização –, mostra, através de exemplos como Gisele Bündchen, Stallone e Einstein, uma forma superar essa fase e  sobreviver a esse período crítico.

Fale sobre a Lição de Delfos?
Não há como desenvolver os processos que citei até aqui, se você não tem ideia de quem você é, ou se você possui uma ideia equivocada sobre você mesmo. A maioria de nós cria uma imagem mental, por isso abstrata e irreal, sobre quem somos. Essa imagem é feita de opiniões, rótulos, conceitos e idéias que as outras pessoas, ao longo da nossa infância, manifestaram sobre nós. Não somos essa imagem. A lição de Delfos é uma análise que oferece a possibilidade de desconstruir essa imagem e descobrir quem verdadeiramente somos. Remover essa imagem mental é a única forma de resgatar nossa autenticidade. Isso nos liberta do medo e da insegurança, princípios sobre os quais está o fundamento da nossa mediocridade.

Você afirma que nem sempre as crianças mais inteligentes são as que alcançam melhores resultados na vida. Por que isso acontece?
Eu chamo isso de o paradoxo da inteligência. Ou seja: o que define os resultados na vida não é o seu nível de inteligência, mas a compreensão que você tem sobre o que é a inteligência. Esse é um dos mitos sobre o sucesso que afeta negativamente um número extraordinário de pessoas. Por isso, no livro, dedico um capítulo inteiro sobre o tema.

Por que, mesmo quando colecionamos erros, é tão difícil mudar ou cumprir nossas metas de mudança?
Para entender isso, é preciso insistir nesse ponto: a maioria de nós não possui liberdade necessária para fazer escolhas. Ou seja, temos a vontade de mudar, mas não temos a capacidade de satisfazer essa vontade. Superficialmente nos comprometemos com mudança, mas, ultimamente, aquilo que persevera, que decide de fato e faz as escolhas por nós é um padrão mental feito das nossas convicções mais profundas. Estabelece-se, dessa forma, uma divisão entre nossos desejos e nossa capacidade. Essa dualidade cria um vácuo de frustração resultante da impotência que temos sobre nós mesmos. Isso ocorre cada vez que nos propomos a uma dieta e não resistimos ao primeiro pote de sobremesa que aparece a nossa frente. Para se libertar dessa impotência, precisamos mudar a compreensão que temos sobre nós mesmos. Passar a observar nossos padrões mentais, compreendê-los, aceitá-los. Esse comportamento nos abrirá a possibilidade de transformação.

Você também aborda nossa relação com o tempo. Como isso nos afeta na busca do sucesso?
Nós temos uma tendência de criar uma história sobre tudo o que acontece conosco. Essa tendência vem da nossa necessidade de compreensão. Para compreender determinado fenômeno, precisamos encontrar uma causa, algo que possa ser considerado responsável por determinado efeito. Estocamos essas histórias que criamos, com suas causas, em nossa memória, e as usamos cada vez que achamos necessário justificar algum fenômeno no presente. Se você perguntar para alguém, por exemplo, “por que não concluiu a faculdade?”, ele logo virá com uma narrativa, com uma história para a qual ele atribuirá a causa por não ter concluído a faculdade. Quase sempre essas causas são irreais, invenções, racionalizações que usamos para justificar e suportar o fracasso. Precisamos ter mais cautela com nosso ímpeto de confundir um fato real, que aconteceu no passado, com a história que mantemos viva sobre esse fato, e que é irreal, no presente. Precisamos aprender a substituir a narrativa do passado com uma declaração sobre o futuro. A narrativa perpetua o passado, a declaração, transforma o futuro.
*Essa entrevista está autorizada a ser publicada, em parte ou inteira, por qualquer meio de comunicação. Everton Maciel.

Saiu na mídia – Fórmula do sucesso está no óbvio, dizem especialistas

A carioca Juliana Alves começou a fazer balé aos 3 anos de idade. Já na adolescência, sem dinheiro para pagar cursos de atuação, fez teatro amador. Passou a realizar trabalhos sociais em uma ONG e viu na psicologia um plano B caso a carreira artística, seu sonho, não se firmasse como único ganha-pão, mas nunca tirou o foco do objetivo.

Hoje, aos 28 anos, menos de um ano após deixar a voluptuosa Suellen de “Caminho das Índias” (2009), dá vida a outra personagem global, a Clotilde de “Ti-ti-ti”. Ela poderia ter usado a origem humilde como justificativa para qualquer possível fracasso. Mas insistiu no sonho e o alcançou. Por isso, Juliana está entre as poucas pessoas, de acordo com a teoria do filósofo brasileiro radicado nos EUA Jacob Pétry, que chegam ao sucesso, mesmo entre obstáculos, por terem habilidades raras e determinantes para o êxito em qualquer área da vida.

“Não basta talento, educação, dinheiro e sorte. Só vence quem persevera no ponto forte e não perde tempo e energia nos problemas. Mas é claro que empatia, humildade e integridade contam”, afirma Pétry, que reuniu estas e outras dicas no livro “O Óbvio que Ignoramos” (Ed. Lua de Papel), após analisar biografia de personalidades de sucesso, como Gisele Bündchen e Silvester Stallone.

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Jacob Petry no Brasil

O autor do nosso famoso sucesso O óbvio que ignoramos fará uma visita ao Brasil. Ele chega dia 28 de outubro em São Paulo e fará parte de várias palestras e eventos.  Vejam a lista dos lugares já confirmados:

28 de outubro

Santa Casa de Misericórdia

Guaratinguetá –SP

Horário: 15h

Auditório da ACEG

Guaratinguetá – SP

Horário: 20h

31 de Outubro

Sala Oeste do Santander Cultural

Porto Alegre – RS

Feira do livro de Porto Alegre

03 de Novembro

URI – CAMPUS SANTO ÂNGELO

Santo Ângelo – RS

Horário: 21 h

08 de Novembro

PUC – PR

Auditório do Teatro Tristão de Arial

Curitiba – PR

Horário: 20h 30min

Evento fechado para alunos, professores e colaboradores da PUCPR

09  de Novembro

TEATRO PAULO AUTRAN

Shopping Novo Batel

Curitiba – PR

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